Um sonho mórbido
Você tropeça nos meus tornozelos do outro lado da sala. Entre nós, uma multidão de fantasmas. Não esperava lhe ver no lugar onde velo meus mortos. De repente, em mim, doem novamente tumores que há muito tenho tratado - insistentes, grandes e, até então, latentes. No centro de sua cara, os olhos que tanto odiei. Não te procurei em todos os lugares e pessoas, rezando para não te encontrar. Queria tanto lembrar, como se uma parte da minha alma nunca tivesse se enroscado em você quando me abraçou. Dentre todas as pessoas estranhas, me pergunto o porquê de você ter sido a única cuja mão eu quis segurar como que para dizer: vejam bem, é meu; posso levar esse amor para passear comigo pelas ruas e calçadas desse mundo. Experimentei sentir fogo nas veias quando me tirou do meu sentimento. No entanto, aqui, uma infinitude de tempo depois, nos encontramos para nos velarmos. Você, do outro lado da sala, ainda me atropela. A notícia de sua chegada me vem através de uma visão translúcida, como ...