O altar do seu nome
Um trovão estala no céu acima. Fecho meus olhos para concentrar na música que toca no fone e sinto um arrepio percorrer o corpo como se um raio tivesse me acertado em cheio.
A última vez que eu ouvi sua voz, essa música estava o fundo, se mesclando. Um áudio seu a 10 mil quilômetros de distância. Tarde e noite se mesclam.
É muito doido, porque eu ainda não processei completamente que o futuro que sonhei em você vazou pelos dedos. É doido pensar que sonhamos as vidas de quem amamos também. E havia um paraíso na minha mente quando pensava no seu futuro.
Talvez essa seja a nossa missão nessa vida - não podemos salvar as pessoas que amamos querendo tirá-las de suas tristezas e tribulações, mas talvez possamos mostrar a elas alguma forma paraíso, através dos nossos olhos. O inferno nunca foi um lugar real, mas sim um estado de completa e absoluta desesperança.
Ultimamente, minha mente só funciona quando meu corpo se movimenta, quando não existem mais palavras ao alcance dos olhos. Foi assim que comecei a correr.
Li em algum lugar que estamos perdemos a nossa capacidade de criar, por isso estamos tão deprimidos. Me pergunto o quanto do meu próprio diagnóstico é devido a isso, mas você - e as partes mais viscerais que já vivi nesse mundo ainda me despertam a escrever. Me mover me leva a escrever. Que bom. Ainda estou viva, ainda sou eu - mesmo que apenas na dor, apenas no amor.
E o que seria o amor senão um altar que visitamos toda vez que mencionamos o nome de alguém?
Sempre te visito quando vejo algo sobre Your Name, quando ouço Rain Over Me e Old Town Road, toda vez que penso em páginas de poesia do Facebook e toda madita vez que vejo algo sobre a Alemanha. Meu Deus, há lugares nesse mundo que pra mim sempre serão nossos. Todas vezes que passo por eles - eles parecem exclamar "eu também me lembro de tudo".
O altar do seu nome jamais estará sozinho, amigo.
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