Já pensei muito sobre como as horas deveriam ser compostas por 100 minutos e os minutos por 100 segundos. Herdei da infância a ideia de que 100 é o número da perfeição para encerrar o ciclo do que já se foi e, enfim, reiniciar. Uma hora - conceito de algo que, quando pensei sobre o assunto na primeira vez, me parecia tão grandioso e extenso - deveria ser também composta por um número grandioso e extenso de subpartições. Convicta, respondia no dever de casa que 1 hora tem 100 minutos e a professora, muito afetuosamente, riscava o 100 e escrevia 60 por cima à caneta, me corrigindo. Claro que naquela época, nada nem mesmo a pronúncia do meu próprio nome era tão elaborada ou familiar como hoje. Levei tempo a me habituar e a justificativa por trás nunca me foi satisfatória: o sistema sexagesimal foi herdado historicamente. Não havia uma grande justificativa matemática ou geométrica por trás da escolha pouco óbvia do sistema de marcação temporal. ...
A promessa da globalização apregoou o fim das distâncias. Eu achei que isso significaria não te dizer adeus, mesmo que a um curto prazo. Doce e triste ilusão: em questão de dias fomos afastados por uma pandemia. E mesmo que não seja tanto tempo assim, o telefone não basta para te expressar minhas saudades. Ligar a câmera não desfaz a tristeza pela falta contínua dos seus carinhos. Mas apesar de tudo sei, que toda vez que escolho permanecer distante, eu salvo sua vida e a de muitas outras pessoas. Sei que nosso reencontro será glorioso, e que as eventuais futuras despedidas serão com muito mais amor e cuidado . Com ousadia faço-te uma nova jura: espero-te depois da tempestade, nos encontraremos na calmaria. Quando tudo for seguro, quando voltar a alegria.
Comentários
Postar um comentário
Seu comentário foi submetido