A promessa da globalização apregoou o fim das distâncias. Eu achei que isso significaria não te dizer adeus, mesmo que a um curto prazo. Doce e triste ilusão: em questão de dias fomos afastados por uma pandemia. E mesmo que não seja tanto tempo assim, o telefone não basta para te expressar minhas saudades. Ligar a câmera não desfaz a tristeza pela falta contínua dos seus carinhos. Mas apesar de tudo sei, que toda vez que escolho permanecer distante, eu salvo sua vida e a de muitas outras pessoas. Sei que nosso reencontro será glorioso, e que as eventuais futuras despedidas serão com muito mais amor e cuidado . Com ousadia faço-te uma nova jura: espero-te depois da tempestade, nos encontraremos na calmaria. Quando tudo for seguro, quando voltar a alegria.
Tenho vivido em outras peles, almejado outras vidas, mas o presente, cruel dádiva, mantém meus pés atados ao chão e o futuro, inevitável mistério, queima no estômago, assombrando a mente. Viver o agora é desafio, luta diária à qual juro submeter-me todos os dias, mas sigo irreverente graças à magia da ficção. O futuro, aquele monstro gigante pode vir - ou melhor, há de vir! - e, quando chegar, encontrará metamorfose em forma de alguém que viveu tantas diferentes peles.
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