A promessa da globalização apregoou o fim das distâncias. Eu achei que isso significaria não te dizer adeus, mesmo que a um curto prazo. Doce e triste ilusão: em questão de dias fomos afastados por uma pandemia. E mesmo que não seja tanto tempo assim, o telefone não basta para te expressar minhas saudades. Ligar a câmera não desfaz a tristeza pela falta contínua dos seus carinhos. Mas apesar de tudo sei, que toda vez que escolho permanecer distante, eu salvo sua vida e a de muitas outras pessoas. Sei que nosso reencontro será glorioso, e que as eventuais futuras despedidas serão com muito mais amor e cuidado . Com ousadia faço-te uma nova jura: espero-te depois da tempestade, nos encontraremos na calmaria. Quando tudo for seguro, quando voltar a alegria.
Durante as semanas anteriores, ocorreu-me uma observação sobre um curioso fato: todos os meus professores agora usam agenda. Inicialmente pensei: "nossa que legal! usar agenda é ótimo, ajuda a planejar-se bem!', contudo, bastou uma análise mais cuidadosa da circunstância e o brilho se esvaiu. Todos os meus professores passaram a usar agenda e não é porque eles se sentem mais confortáveis dessa forma, nem porque assim conseguirão ter mais tempo para relaxar ou curtir com a família. Todos os meus professores passaram a usar agenda para não esquecerem de nenhum afazer. Eles estão sobrecarregados: Há infinitas demandas dos alunos, das instituições, da sociedade com as quais eles devem lidar. Fora de seu papel tradicional agora eles se submetem a um processo de adequação às ferramentas tecnológicas para conseguirem manter a qualidade das aulas, sempre se questionando "será que os alunos conseguem me entender?". Imagino que agora tenham pesa...
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